{"id":290,"date":"2015-08-27T23:11:10","date_gmt":"2015-08-27T23:11:10","guid":{"rendered":"http:\/\/teatropublico.com.br\/?page_id=290"},"modified":"2015-08-27T23:20:05","modified_gmt":"2015-08-27T23:20:05","slug":"saudade-2","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/saudade-2\/","title":{"rendered":"Saudade"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>&#8212; Sinopse<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No dia 5 de mar\u00e7o de 2014, o corpo do falecido Zen\u00f3bio de Andrade Reis Boaventura desapareceu misteriosamente nas imedia\u00e7\u00f5es do Cemit\u00e9rio da Saudade quando chegava para o seu vel\u00f3rio, no carro da funer\u00e1ria Descanso Eterno. Ap\u00f3s uma busca incans\u00e1vel e sem sucesso pelo paradeiro do corpo, a fam\u00edlia do falecido fez a promessa de peregrinar em luto pelos arredores do Cemit\u00e9rio at\u00e9 que o corpo apare\u00e7a para ser definitivamente sepultado. Por\u00e9m, o que essa fam\u00edlia n\u00e3o sabe \u00e9 que, em um ato de rebeldia, o morto levantara-se do caix\u00e3o ap\u00f3s resolver escolher pra si um fim mais digno.<\/p>\n<p><em><strong>&#8212; Release<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Saudade, segunda montagem do grupo Teatro P\u00fablico, baseia-se no surpreendente fim do corpo de Zen\u00f3bio de Andrade Reis Boaventura em um bairro tomado pela presen\u00e7a da morte. Criado no ano de 2014 no bairro que abriga a segunda necr\u00f3pole constru\u00edda na cidade de Belo Horizonte, o bairro Saudade, o espet\u00e1culo procura discutir a tem\u00e1tica da finitude da vida ao mesmo tempo que revela o potencial das paisagens\u00a0 ligadas \u00e0 morte que figuram no espa\u00e7o do bairro.<\/p>\n<p>No processo de cria\u00e7\u00e3o o grupo atuou com a\u00e7\u00f5es c\u00eanicas e interven\u00e7\u00f5es urbanas para contar a hist\u00f3ria de Zen\u00f3bio no bairro Saudade. A hist\u00f3ria do protagonista, desde o momento do seu sumi\u00e7o at\u00e9 o seu reaparecimento na regi\u00e3o, foi contada a partir de diferentes n\u00facleos de personagens que habitaram o bairro e tamb\u00e9m com o aux\u00edlio de interven\u00e7\u00f5es urbanas que tem como foco a palavra.<\/p>\n<p>Saudade foi o resultado da continuidade da pesquisa voltada para a inser\u00e7\u00e3o da fic\u00e7\u00e3o no cotidiano da cidade e para a inser\u00e7\u00e3o do p\u00fablico na cena teatral, iniciadas na montagem do primeiro espet\u00e1culo do grupo Teatro P\u00fablico, Naquele Bairro Encantado. A partir de princ\u00edpios relacionados \u00e0 performance e \u00e0 arte urbana, em di\u00e1logo com a linguagem teatral, o grupo investigou tamb\u00e9m, nessa montagem, as possibilidades espaciais de ocupa\u00e7\u00e3o da encena\u00e7\u00e3o e da inser\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria ficcional relacionada ao tema da morte, seus ritos e afetos, em um bairro que cresceu em torno da segunda necr\u00f3pole constru\u00edda na cidade, o cemit\u00e9rio da Saudade.<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo, assim como o Naquele Bairro Encantado, foi constru\u00eddo nas ruas do bairro escolhido para a montagem. Diferentemente do que se est\u00e1 acostumado nos processos de cria\u00e7\u00e3o em teatro, o espet\u00e1culo foi se construindo a cada sa\u00edda dos personagens no bairro, que ocuparam os espa\u00e7os da regi\u00e3o no intuito de levar a p\u00fablico a hist\u00f3ria de vida e morte de Zen\u00f3bio de Andrade Reis Boaventura, o protagonista do espet\u00e1culo. Neste processo, os personagens habitaram o bairro, povoando o imagin\u00e1rio dos moradores e inserindo o teatro em seu cotidiano com a finalidade de discutir a tem\u00e1tica da morte, seus ritos e afetos. Ao utilizar os espa\u00e7os do bairro de modo amplo, encarando-o como um grande cen\u00e1rio aberto \u00e0s interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, os personagens interferem no cotidiano dos moradores, utilizando os espa\u00e7os da regi\u00e3o de modo semelhante aos seus habitantes, estabelecendo, assim uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre realidade e fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho de atua\u00e7\u00e3o, os atores seguiram sua pesquisa com a linguagem das m\u00e1scaras teatrais. A pesquisa para cria\u00e7\u00e3o, confec\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o das m\u00e1scaras foi uma releitura das m\u00e1scaras tradicionais do teatro balin\u00eas. Est\u00e3o presentes tamb\u00e9m propostas de atua\u00e7\u00e3o mais perform\u00e1ticas, com mascaramentos inspirados nas matrafonas, figuras presentes na cultura popular de algumas regi\u00f5es de Portugal, em a\u00e7\u00f5es que buscam trabalhar a composi\u00e7\u00e3o de imagens envolvendo atores, espa\u00e7os e suas respectivas cargas sem\u00e2nticas. Outros elementos tamb\u00e9m presentes no trabalho dos atores s\u00e3o a presen\u00e7a marcante da m\u00fasica em cena, e a rela\u00e7\u00e3o entre<br \/>\nimprovisa\u00e7\u00e3o e dramaturgia.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 condu\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica do espet\u00e1culo, desta vez o grupo optou por, de modo distinto ao Naquele Bairro Encantado, propor ao Saudade um mote dramat\u00fargico previamente constru\u00eddo, uma hist\u00f3ria a ser contada. Diferentemente de sua primeira montagem, em que os atores mascarados alugaram uma casa no bairro Lagoinha e constru\u00edram toda a dramaturgia a partir de sua viv\u00eancia no bairro, nesta segunda montagem, os criadores do espet\u00e1culo j\u00e1 chegaram no bairro Saudade dispostos a envolver os moradores em uma hist\u00f3ria, a hist\u00f3ria do desaparecimento do corpo do personagem falecido Zen\u00f3bio de Andrade Reis Boaventura, quando este estava sendo conduzido ao cemit\u00e9rio da Saudade para ali ser velado e enterrado. E para al\u00e9m desta hist\u00f3ria, o processo de cria\u00e7\u00e3o no bairro e, consequentemente, o espet\u00e1culo resultante se prop\u00f5e a revelar e incorporar as rea\u00e7\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es e acontecimentos que surgem do encontro dos moradores com esta hist\u00f3ria ficcional, caracterizando uma dramaturgia aberta, que explora o risco e busca potencializar o acaso e as respostas do real para o ficcional.<\/p>\n<p>Para contar essa hist\u00f3ria, o grupo, juntamente com a dramaturga Larissa Alberti, utilizou princ\u00edpios dramat\u00fargicos em di\u00e1logo com t\u00e9cnicas da interven\u00e7\u00e3o urbana que est\u00e3o relacionados ao potencial da palavra de poetizar o cotidiano, a\u00e7\u00f5es estas relacionadas \u00e0 pesquisa de mestrado na \u00e1rea da literatura Poesia e arte urbana: paisagens po\u00e9ticas no horizonte das cidades, desenvolvida pela dramaturga no CEFET-MG.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos, o grupo buscou enfatizar e expandir o espa\u00e7o do cemit\u00e9rio, territ\u00f3rio que encontra-se na centralidade do imagin\u00e1rio dos moradores do bairro. Al\u00e9m de trabalhar com as imagens e narrativas ligadas \u00e0 morte e ao espa\u00e7o da necr\u00f3pole do Saudade, o espet\u00e1culo busca tamb\u00e9m direcionar o olhar dos espectadores do restante da cidade para o potencial arquitet\u00f4nico e po\u00e9tico fornecido pelas imagens formadas pelo cemit\u00e9rio que irrompe nos horizontes do bairro Saudade. Al\u00e9m disso, a hist\u00f3ria do cad\u00e1ver desaparecido de Zen\u00f3bio de Andrade tem como foco central a quest\u00e3o da finitude da vida em um espa\u00e7o povoado e habitado pela morte, como o bairro em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta segunda cria\u00e7\u00e3o, assim como foi na habita\u00e7\u00e3o do bairro Lagoinha em 2011 na cria\u00e7\u00e3o do Naquele Bairro Encantado, o grupo tamb\u00e9m deu continuidade ao prop\u00f3sito de criar a partir do di\u00e1logo com comunidades de bairros mais perif\u00e9ricos, muitas vezes estigmatizados pela viol\u00eancia e marcados pelo descaso do poder p\u00fablico, optando em criar um espet\u00e1culo que se localiza fora do circuito tradicional de espa\u00e7os culturais da cidade, e que busca o encontro com novos p\u00fablicos, habitantes destes contextos geogr\u00e1ficos e sociais. Ao mesmo tempo, a realiza\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo se constitui como um convite ao p\u00fablico de outras regi\u00f5es da cidade para visitar e experienciar o bairro\u00a0 Saudade, revelado e poetizado pelo olhar dos atores e de seus moradores.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0&#8212; Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong><em>Atua\u00e7\u00e3o e Dire\u00e7\u00e3o:<\/em> <\/strong>Diego Po\u00e7a, Luciana Ara\u00fajo, Marcelo Alessio, Rafael Bottaro e Rafaela K\u00eania<br \/>\n<strong><em>Dramaturgia e Interven\u00e7\u00f5es Urbanas com a palavra:<\/em><\/strong> Larissa Alberti<br \/>\n<strong><em>Dire\u00e7\u00e3o Musical:<\/em><\/strong> Eberth Guimar\u00e3es<br \/>\n<strong><em>Cria\u00e7\u00e3o e Confec\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras:<\/em><\/strong> Fernando Linares e Rafael Bottaro<br \/>\n<strong><em>Orienta\u00e7\u00e3o do trabalho de atua\u00e7\u00e3o:<\/em><\/strong> Fernando Linares<br \/>\n<strong><em>Figurino:<\/em><\/strong> Ana Luisa Santos<br \/>\n<strong><em>Confec\u00e7\u00e3o de objeto c\u00eanico:<\/em><\/strong> Ti\u00e3o Vieira<br \/>\n<strong><em>Fotografia e Produ\u00e7\u00e3o Audiovisual:<\/em><\/strong> Felipe Chimicatti e Pedro Carvalho<br \/>\n<strong><em>Arte Gr\u00e1fica:<\/em><\/strong> Felipe Chimicatti e Pedro Carvalho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8212; Sinopse No dia 5 de mar\u00e7o de 2014, o corpo do falecido Zen\u00f3bio de Andrade Reis Boaventura desapareceu misteriosamente nas imedia\u00e7\u00f5es do Cemit\u00e9rio da Saudade quando chegava para o seu vel\u00f3rio, no carro da funer\u00e1ria Descanso Eterno. Ap\u00f3s uma busca incans\u00e1vel e sem sucesso pelo paradeiro do corpo, a fam\u00edlia do falecido fez a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"class_list":["post-290","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=290"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/290\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":297,"href":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/290\/revisions\/297"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/teatropublico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}