Espetáculo

Sinopse
No dia 5 de março de 2014, o corpo do falecido Zenóbio de Andrade Reis Boaventura desapareceu misteriosamente nas imediações do Cemitério da Saudade quando chegava para o seu velório, no carro da funerária Descanso Eterno. Após uma busca incansável e sem sucesso pelo paradeiro do corpo, a família do falecido fez a promessa de peregrinar em luto pelos arredores do Cemitério até que o corpo apareça para ser definitivamente sepultado. Porém, o que essa família não sabe é que, em um ato de rebeldia, o morto levantara-se do caixão após resolver escolher pra si um fim mais digno.

Release
Saudade, segunda montagem do grupo Teatro Público, baseia-se no surpreendente fim do corpo de Zenóbio de Andrade Reis Boaventura em um bairro tomado pela presença da morte. Criado no ano de 2014 no bairro que abriga a segunda necrópole construída na cidade de Belo Horizonte, o bairro Saudade, o espetáculo procura discutir a temática da finitude da vida ao mesmo tempo que revela o potencial das paisagens  ligadas à morte que figuram no espaço do bairro.
No processo de criação o grupo atuou com ações cênicas e intervenções urbanas para contar a história de Zenóbio no bairro Saudade. A história do protagonista, desde o momento do seu sumiço até o seu reaparecimento na região, foi contada a partir de diferentes núcleos de personagens que habitaram o bairro e também com o auxílio de intervenções urbanas que tem como foco a palavra.

Saudade foi o resultado da continuidade da pesquisa voltada para a inserção da ficção no cotidiano da cidade e para a inserção do público na cena teatral, iniciadas na montagem do primeiro espetáculo do grupo Teatro Público, Naquele Bairro Encantado. A partir de princípios relacionados à performance e à arte urbana, em diálogo com a linguagem teatral, o grupo investigou também, nessa montagem, as possibilidades espaciais de ocupação da encenação e da inserção de uma história ficcional relacionada ao tema da morte, seus ritos e afetos, em um bairro que cresceu em torno da segunda necrópole construída na cidade, o cemitério da Saudade.

O espetáculo, assim como o Naquele Bairro Encantado, foi construído nas ruas do bairro escolhido para a montagem. Diferentemente do que se está acostumado nos processos de criação em teatro, o espetáculo foi se construindo a cada saída dos personagens no bairro, que ocuparam os espaços da região no intuito de levar a público a história de vida e morte de Zenóbio de Andrade Reis Boaventura, o protagonista do espetáculo. Neste processo, os personagens habitaram o bairro, povoando o imaginário dos moradores e inserindo o teatro em seu cotidiano com a finalidade de discutir a temática da morte, seus ritos e afetos. Ao utilizar os espaços do bairro de modo amplo, encarando-o como um grande cenário aberto às intervenções artísticas, os personagens interferem no cotidiano dos moradores, utilizando os espaços da região de modo semelhante aos seus habitantes, estabelecendo, assim uma relação estreita entre realidade e ficção.

Em relação ao trabalho de atuação, os atores seguiram sua pesquisa com a linguagem das máscaras teatrais. A pesquisa para criação, confecção e utilização das máscaras foi uma releitura das máscaras tradicionais do teatro balinês. Estão presentes também propostas de atuação mais performáticas, com mascaramentos inspirados nas matrafonas, figuras presentes na cultura popular de algumas regiões de Portugal, em ações que buscam trabalhar a composição de imagens envolvendo atores, espaços e suas respectivas cargas semânticas. Outros elementos também presentes no trabalho dos atores são a presença marcante da música em cena, e a relação entre improvisação e dramaturgia.

No que diz respeito à condução dramatúrgica do espetáculo, desta vez o grupo optou por, de modo distinto ao Naquele Bairro Encantado, propor ao Saudade um mote dramatúrgico previamente construído, uma história a ser